segunda-feira, 19 de maio de 2014

Poder de Discernir


por Kiran Coyote
Todos os dias, deparamo-nos com uma série de opções: devemos confiar no que o nosso amigo está dizendo?  Devemos seguir na mesma direção ou mudar de rumo? Devemos expressar nossas preocupações ou ficar calados?
Algumas vezes nossas escolhas são instintivas, como quando um bebê prefere o colo de sua mãe ao de um estranho. Algumas são inconscientes, como identificar-se com a cultura ou a religião na qual foi criado ou adotar os maneirismos de seus pais. Algumas vezes escolhemos reativamente, como quando rejeitamos a cultura ou a religião na qual fomos criados ou desistimos de tentar fazer algo porque outras pessoas estão criando dificuldades. Algumas são escolhas habituais, como quando e com que frequência escovamos os dentes. E, naturalmente, algumas são cuidadosamente calculadas, escolhas deliberadas, como nossa escolha por uma carreira, uma residência ou um projeto de paisagismo.

O PODER DO DISCERNIMENTO
Sublinhando todas as nossas escolhas, existem dois poderes que são características intrínsecas da consciência humana: o poder do discernimento e discriminação e o poder do bom julgamento. Estes dois – o quinto e sexto em nossa série de artigos sobre os Oito Poderes da Alma – estão intimamente ligados, mas vamos nos concentrar no discernimento neste artigo e cuidaremos do bom julgamento no próximo.
O poder do discernimento dá a cada um a habilidade de detectar diferenças, fazer distinções, perceber a verdade e reconhecer a falsidade ou distorções, saber. Sem ele, tropeçaríamos cegamente durante a vida, não sabendo para onde nos voltar. Este poder é como o olho da alma: um “terceiro” olho, como alguns o chamaram.

Usando este poder, os seres humanos são capazes de perceber uma imperfeição no menor dos diamantes; nuanças sutis na comunicação; detectar padrões emergentes nas economias mundiais – isso para citar apenas algumas manifestações de sua gama e magnitude. Como é maravilhoso esse poder! Nós o usamos diariamente de muitas maneiras considerando-o natural, mas não é comum! É a base de nossa clareza, moralidade e, em grande parte, do sucesso ou fracasso de nossos esforços. Objetos materiais, bem como os átomos e moléculas que os formam, não mostram as maravilhosas capacidades desse poder.

Talvez exatamente por considerar esse poder tão natural, raramente o dirigimos para dentro para identificar nossas imperfeições interiores. Assim como grandes benefícios advêm externamente quando separamos o trigo do joio, expomos fraude ou corrupção ou percebemos oportunidades que nos impulsionam à frente da concorrência, da mesma forma, focar o poder do discernimento em nós mesmos proporciona grande e duradoura transformação e empoderamento pessoal.

Os ensinamentos da Raja Yoga da Brahma Kumaris, nos quais se baseia esta série sobre os oito poderes espirituais essenciais, deram-me um simples, mas profundo e eficaz método para abrir meu olho interior do discernimento. Desenvolvi o hábito de passar alguns minutos por dia refletindo sobre o que está acontecendo no meu interior, observando meus pensamentos, atitudes e sentimentos.
Agora sou capaz de descobrir o que realmente está em minha mente abaixo das preocupações aparentes. Posso perceber os sutis ladrões internos que roubam minha energia e confiança. O melhor de tudo é que descobri tesouros escondidos – os valores e virtudes que me são caros e dão significado e propósito à minha vida; e a força de caráter que me possibilita viver e sustentar esses valores.

QUATRO TIPOS DE PENSAMENTOS
Através do meu estudo da Raja Yoga, aprendi que há quatro tipos básicos de pensamentos que ocorrem em minha mente: positivo, negativo, comum e inútil. Mesmo que pareça uma classificação simplista, a habilidade de discernir e distinguir estes tipos e o entendimento de como administrá-los trouxeram profundos efeitos positivos em minha vida.
Considere que o pensamento é a energia da alma transmitida através da mente – quer seja sobre o self, outros ou situações. Quando existem pensamentos positivos, energia positiva emana do self. Essas vibrações positivas são captadas não apenas pelos outros, mas também pelo próprio self. Esse é o motivo que nos faz sentir bem quando temos pensamentos positivos! Aqui está um exemplo de um pensamento positivo sobre o self: “Eu sou uma pessoa bondosa e compreensiva.” Quando emite tal pensamento, transmite esse sentimento e imagem para os outros e os reforça em você mesmo.

Pensamentos negativos produzem vibrações negativas. Os outros geralmente não gostam de ficar perto de você quando está tendo pensamentos de raiva ou de crítica e você também se sente tenso e desconfortável. Aqui está um exemplo de pensamento negativo sobre o self: “Sempre pego o lado curto da vareta. Não importa o que eu faça, nunca é suficiente.” Que tipo de sentimento as outras pessoas teriam sobre você se captassem a vibração desse seu pensamento? Como você se sentiria sobre você mesmo como resultado de tais pensamentos?

Se você trabalha e/ou cuida da casa, pensamentos comuns são aqueles que provavelmente ocupam sua mente na maior parte do tempo. Esses são os pensamentos necessários para realizar uma tarefa, administrar uma agenda ou cuidar de negócios. Por exemplo: “Preciso lavar a roupa hoje.” Você gosta de ter roupas limpas, mas pode se ressentir de ter que gastar tempo lavando-as. Em outras palavras, você pode colorir um pensamento comum com sentimentos positivos ou negativos – mas o pensamento em si, “A roupa precisa ser lavada hoje”, é um pensamento neutro, simplesmente factual ou comum.

A mais debilitante categoria é a dos inúteis. As duas variedades principais são as preocupações e lamentações. Preocupação: “E se não acontecer? E se acontecer?” Lamentação: “Se ao menos eu não tivesse feito aquilo. Se ao menos ______ (preencha esse espaço) não tivesse acontecido.” Estes pensamentos consomem sua energia mental, mas não produzem qualquer resultado. Eles “desperdiçam” a energia da alma. Este é o motivo pelo qual quando está preocupado ou sentindo remorsos e depressão, você se sente cansado o tempo todo.

UMA FÓRMULA PARA ADMINISTRAR PENSAMENTOS
É como se no início de cada dia, a vida nos entregasse um pacote de energia de pensamento. Vamos gastar a maior parte ao longo do dia, mas como? Em qual categoria de pensamento você gastará seu precioso tempo e energia mental? E o que faz se descobrir que boa parte está indo para a conta da negatividade e desperdício?

Quando você concentra o poder do discernimento nos seus pensamentos e é capaz de reconhecer seus tipos, existe uma fórmula simples para começar a administrá-los: lembrar-se da sigla S.O.S. Neste contexto, o primeiro “S” significa pare! (stop). Não continue com tais pensamentos. Em seguida, o “O” significa observe! Observe como esses pensamentos estão afetando-o. Esqueça as outras pessoas. Como tais pensamentos estão fazendo VOCÊ se sentir? Finalmente, o último “S” significa mude a direção (steer, switch ou swerve). Em outras palavras, mude o curso dos seus pensamentos. Não é tão difícil como parece.

Cada situação na vida, não importa quão trágica ou traumática, é uma oportunidade para aprender algo útil sobre nós mesmos, nossa capacidade, nossas limitações e/ou as virtudes ou valores que precisamos cultivar para vencer os desafios da vida. Todas as pessoas, não importa quão negativas ou pouco bondosas possam ser, também são professoras disfarçadas. No momento em que eu começar a pensar sobre o que posso aprender da pessoa ou situação, os meus pensamentos se transformam de preocupação, tristeza, crítica ou medo etc. em construtivos. A energia do meu pensamento muda sutilmente, minhas vibrações mudam e as situações e as pessoas começam a se transformar. O poder do discernimento auxilia em cada passo deste processo interno – de observar e distinguir meus pensamentos, para aplicar a fórmula de administrar os pensamentos.

Quando comecei a usar o poder do discernimento para reconhecer os quatro tipos de pensamentos e a aplicar a fórmula de administrá-los, a clareza de meu olho interior aumentou. Percebi que por não dirigir e usar o poder interno do discernimento regularmente por muito tempo, meu ambiente interno tinha se transformado numa selva de pontos de vista e opiniões contraditórios. Meus reservatórios de experiência estavam poluídos pela impaciência e emoções hostis e temerosas. Minha atitude em relação à vida balançava entre ansiedade e entusiasmo. E minhas reações às pessoas e situações flutuavam entre esperança e decepção; entre crítica ou autopiedade e apreciação.

Percebi que meus pensamentos e sentimentos eram maleáveis, sujeitos a meu controle e influência – não apenas vítimas das circunstâncias externas. Minhas atitudes usuais em relação a certas pessoas, meu modo habitual de pensar sobre certas coisas, minhas reações e tendência a reclamar, criticar e culpar – todos estavam sujeitos à reavaliação e modificação por mim à medida que comecei a classificá-los em positivos, negativos, comuns e inúteis. Não precisava mais permanecer “preso” a velhos padrões – era livre e poderoso para escolher ser diferente da forma que eu jamais tinha sido antes!

Brahma Kumaris

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