sábado, 29 de abril de 2017

Introspecção


“Pra começar, a felicidade é um amor pela vida. Ter perdido toda razão para viver é abrir um abismo de sofrimento. Mesmo que as circunstâncias externas sejam importantes, o sofrimento, assim como o bem-estar, é essencialmente um estado mental. Entender isso é o pré-requisito chave para uma vida que vale ser vivida. Quais condições mentais vão enfraquecer minha alegria de viver, e quais vão nutri-la?

Mudar o modo como vemos o mundo não implica em otimismo ingênuo nem em alguma euforia superficial. Enquanto estivermos inclinados à insatisfação e frustração que surgem da confusão que domina nossas mentes, será tão fútil dizer a nós mesmos repetidamente “Sou feliz! Sou feliz!” quanto seria repintar um muro em ruínas. A busca pela felicidade não se trata de olhar a vida através de óculos cor-de-rosa ou cegar a si mesmo para a dor e as imperfeições do mundo. 

A felicidade também não é um estado de exaltação perpetuada a qualquer custo: é uma limpeza das toxinas mentais, tais como ódio e obsessão, que literalmente envenenam nossa mente. Também se trata de aprender a colocar as coisas em perspectiva e diminuir o buraco entre as aparências e a realidade. Para isso, precisamos aprender e conhecer melhor como a mente funciona e ter uma visão mais acurada sobre a natureza das coisas, porque no seu sentido mais profundo, sofrer está intimamente conectado com uma má compreensão da natureza da realidade.”

Matthieu Ricard

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