quinta-feira, 24 de abril de 2014

A arte de viver juntos




Muitas pessoas formam um casal pensando que vão iniciar uma grande brincadeira cujo objetivo maior é o prazer.A experiência mostra que eles que pensam apenas no gozo são os que mais sofrem numa relação.Depois de algum tempo,vêm as insatisfações,as frustrações,as cobranças,a rotina e o tédio.A pessoa se sente como um peixe no anzol:tentou comer a minhoca e acabou virando comida de pescador!

Quando duas pessoas desejam se unir,devem criar um espaço no qual possam desenvolver a capacidade de viver a dois,buscar soluções criativas à medida que os obstáculos aparecem e aprendem a desfrutar todas as formas de viver com amor.

Após a grande libertação sexual dos anos 60 e 70,ficou fácil para as pessoas se encontrar e ter relacionamentos ocasionais,em que aliviam as tensões,conhecem gente diferente e gozam de momentos agradáveis.Mas,ao mesmo tempo,cada vez mais,elas sofrem com a "ressaca sexual" - aquela sensação de vazio,culpa e insatisfação que acompanha tais relacionamentos.

A pessoa acorda de manhã e se pergunta:"Meu Deus,o que estou fazendo nesta cama,ao lado desta pessoa:" Já dizia um poeta:"Deitei ao lado de um corpo e acordei à beira de um abismo..."

A ressaca sexual aparece toda vez que se comete uma agressão íntima contra si mesmo e,sem dúvida,é um aviso de que precisa ser mais cuidadoso.No passado, muitas pessoas experimentavam a "ressaca moral" por ter transgredido uma regra aprendida na infância,como a norma de que se deve ser fiel ao esposo ou praticar sexo apenas depois do casamento.

Mas hoje o que nos chama a atenção é a ressaca sexual,cada vez mais experimentada por mulheres e homens que tiveram um grande número de relações superficiais e passageiras.

Passada a euforia da "liberação sexual",as pessoas estão sentindo falta de relações profundas e sólidas!

Estar com alguém plenamente é um caminho de crescimento,um aprendizado de viver a dois;é a possibilidade de vencer o medo da entrega e de se conhecer no mais íntimo.

Conviver com alguém que amamos é o mesmo que comprar um imenso espelho da alma,no qual cada um dos nossos movimentos é mostrado sem a mínima piedade. Ao mesmo tempo que conhecemos melhor o outro,entramos em contato com nossas inseguranças também.E aí começa o inferno...Em vez de encarar a verdade e de ver a imagem temida do verdadeiro eu,tenta-se quebrar o espelho.

Como é possível quebrar esse espelho?Há muitas formas,porém as mais frequentes são:fugir da intimidade,culpar o outro,não assumir as próprias responsabilidades na relação desacreditar o amor.

Viver com alguém que se uma oportunidade de conhecer o outro,mas também a maior chance de entrar em contato consigo mesmo.Apenas quando conseguimos nos enxergar por inteiro é que percebemos o medo de nós mesmos e nos damos conta de que precisamos evoluir para nos tornar pessoas menores.Começamos,então,a nos capacitar para o amor.

Um dia,perguntaram a um grande mestre quem o havia ajudado a atingir a iluminação,e ele respondeu: "Um cachorro".
Os discípulos,surpresos,quiseram saber o que havia acontecido,e o mestre contou:
"Certa vez, eu estava olhando um cachorro, que parecia sedento e se dirigia a uma poça d'água.Quando ele foi beber,viu sua imagem refletida.O cachorro,então,fez uma cara de assustado,e a imagem o imitou.Ele fez cara de bravo,e a imagem o arremedou.Então,ele fugiu de medo e ficou observando,distante,durante longo tempo,a água.Quando a sede aumentou,ele voltou,repetiu todo o ritual e fugiu novamente.Num dado momento,a sede era tanta que o cachorro não resistiu e correu em direção à água,atirou-se nela e saciou sua sede.Desde esse dia,percebi que,sempre que eu me aproximava de alguém,via minha imagem refletida,fazia cara de bravo e fugia assustado.E ficava,de longe,sonhando com esse relacionamento que eu queria para mim.Esse cachorro me ensinou que eu precisava entrar em contato com a minha sede e mergulhar no amor,sem me assustar com as imagens que eu ficava projetando nos outro."
(Roberto Shinyashiki)

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