segunda-feira, 29 de junho de 2015

Definitivo


Definitivo, como tudo o que é simples.Nossa dor não advém das coisas vividas,mas das coisas que foram sonhadas e não se cumpriram.

Sofremos por quê?Porque automaticamente esquecemos o que foi desfrutado e passamos a sofrer pelas nossas projeções irrealizadas,por todas as cidades que gostaríamos de ter conhecido ao lado do nosso amor e não conhecemos,por todos os filhos que gostaríamos de ter tido juntos e não tivemos,por todos os shows e livros e silêncios que gostaríamos de ter compartilhado,e não compartilhamos.Por todos os beijos cancelados,pela eternidade. 

Sofremos não porque nosso trabalho é desgastante e paga pouco,mas por todas as horas livres que deixamos de ter para ir ao cinema,para conversar com um amigo,para nadar,para namorar.Sofremos não porque nossa mãe é impaciente conosco,mas por todos os momentos em que poderíamos estar confidenciando a ela nossas mais profundas angústias se ela estivesse interessada em nos compreender.
Sofremos não porque nosso time perdeu,mas pela euforia sufocada.

Sofremos não porque envelhecemos,mas porque o futuro está sendo confiscado de nós,impedindo assim que mil aventuras nos aconteçam,todas aquelas com as quais sonhamos e nunca chegamos a experimentar.
Por que sofremos tanto por amor?O certo seria a gente não sofrer,apenas agradecer por termos conhecido uma pessoa tão bacana,que gerou em nós um sentimento intenso e que nos fez companhia por um tempo razoável,um tempo feliz.

Como aliviar a dor do que não foi vivido?A resposta é simples como um verso:Se iludindo menos e vivendo mais!

A cada dia que vivo, mais me convenço de que o desperdício da vida está no amor que não damos,nas forças que não usamos,na prudência egoísta que nada arrisca,e que,esquivando-se do sofrimento,perdemos também a felicidade.

A dor é inevitável.O sofrimento é opcional!

Martha Medeiros

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